Era Napoleônica

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Antecedentes

1798

A primeira Constituição Francesa, promulgada em setembro de 1791, embora tenha avançado na defesa dos direitos do povo, beneficiava primordialmente a alta burguesia. Em contrapartida, a própria burguesia passava por disputas internas, representada pelos feillants (burguesia financeira) e girondinos (burguesia comercial). Ambos discordavam em relação à forma de governo. Os fellants defendiam a manutenção da monarquia constitucional e os girondinos à república.

A Assembleia Legislativa contava, ainda, com os jacobinos (pequena burguesia) e um número pequeno de representantes os cordeliers (do povo). Ambos eram a favor da derrubada do rei e instauração, em definitivo, da república.

Pressionado pela nova ordem, o rei Luís XVI presta juramento à nova carta, mas a situação desagrada os líderes europeus que temem a difusão dos ideais revolucionários franceses por todo continente.

A pressão faz com que as lideranças organizem o movimento que ficou conhecido como a Comuna Insurrecional de Paris, que culminou com a participação do povo na batalha de Wamy, em 1792.

O rei é deposto e em 29 de setembro de 1793 é Proclamada a República na França. No dia 21 de janeiro de 1793, o rei Luís XVI é deposto e a França passa a ser atacada pelas nações europeias ainda temerosas do ideal revolucionário.

Nessa onda de "medo" é formada em 1793 a Primeira Coligação, integrada por Áustria, Prússia, Holanda, Espanha e Inglaterra contra a França.

Em meio à guerra, os jacobinos prendem os líderes girondinos, promulgam a nova Constituição de 1793 e iniciam o período conhecido como Terror, com a suspensão dos direitos individuais e execuções sumárias.

A situação na França ainda assusta os líderes europeus, que decidem formar a em 1798 a Segunda Coligação antifrancesa, formada pela Grã-Bretanha, Áustria e Rússia. É neste contexto que Napoleão Bonaparte é visto como solução para o fortalecimento do exército e proteção do país.

Napoleão Bonaparte

1799

é considerado, para muitos franceses, o governante mais bem-sucedido da história da França. Algumas pessoas dizem que ele foi tão bem-sucedido devido sua habilidade como estrategista.
Com apoio de todas as esferas da sociedade francesa, Napoleão promulga em 1804 a Constituição do ano XII e consegue aprovação em plebiscito pela maioria da população francesa a substituição do regime consular pelo Império.

Fatores que Contribuíram para Napoleão

1799

A burguesia estava amadurecida o suficiente como classe social em termos de consciência e força;
A contradição entre os entraves econômicos e a livre expansão do capitalismo havia chegado a uma situação insustentável;
O rei e a aristocracia estavam desacreditados e foram desenvolvidos novos valores que questionavam o poder divino;
A burguesia francesa necessitava de uma liderança forte que fortalecesse o exército contra a ameaça das nações europeias;

Início

1799

A Era Napoleônica tem início após o Golpe de Estado do 18 Brumário, que foi o que marcou o final do processo revolucionário na França.

Consulado

1799 - Approx. 1804

Este período se caracterizou pela recuperação econômica e pela reorganização jurídica e administrativa na França.

O governo do consulado era republicano e controlado por militares, onde três cônsules chefiavam o poder executivo (Napoleão, Roger Ducos e Sieyés), mas como Napoleão foi eleito primeiro-cônsul da república era ele quem realmente governava. Apesar do cunho democrático criado pela nova constituição, era ele quem comandava o exército, propunha novas leis, nomeava os membros da administração e controlava a política externa.

Durante o governo do consulado as oposições foram aniquiladas, a alta burguesia consolidou-se e os projetos de emancipação dos setores populares foram sufocados.

Com os resultados obtidos neste período Napoleão foi nomeado cônsul vitalício em 1802, devido ao apoio das elites francesas, que estavam entusiasmadas com os avanços.

Guerras Napoleônicas

1800 - Approx. 1803

A primeira guerra napoleônica ocorreu contra a Segunda Coligação, formada em 1798 pela Grã-Bretanha, Áustria, Rússia, Portugal, Império Otomano e Reino de Nápoles. Por embaraços diplomáticos, a Rússia saiu da coligação. Em 1800, a França derrota a Áustria na batalha de Marengo e em 1802, a Grã-Bretanha e a França assinam a Paz de Amiens.

A guerra, contudo, levou a França à crise financeira, o que foi amenizado com a criação do Banco da França. O banco exercia o controle da emissão de papel-moeda, o que contribuiu para a redução do processo inflacionário. É criada a Sociedade Nacional de Fomento à Indústria, que contribui para o impulso ao desenvolvimento econômico.

Napoleão retoma o diálogo com a Igreja Católica, rompido durante a revolução e assina a Concordata de 1801. Entre as características do acordo está a nomeação dos bispos por Napoleão e a transformação do clero em assalariado do governo consular.

Terror Branco

Approx. 1800

Napoleão permanece na Ilha de Elba e o rei Luís XVIII reconduz a dinastia Bourbon ao trono. É o início do Terror Branco, com a restauração da monarquia, retorno da aristocracia e do alto clero. Dos camponeses foi exigida a devolução das terras confiscadas na revolução, havendo revoltas, massacres e perseguições.

Governo dos Cem Dias

Com apoio dos mil homens que integravam a sua guarda pessoal, Napoleão Bonaparte avança em direção a Paris após o batalhão enviado por Luís XVIII recusar-se em aprisioná-lo.

Com apoio dos soldados, Napoleão toma Paris e inicia o chamado Governo dos Cem Dias. Já Luís XVIII foge para a Bélgica.

Coligações Antifrancesas

1803 - Approx. 1807

A coroação ocorreu em meio à guerra da França contra a Terceira Coligação Antifrancesa, formada em 1803 pela Grã-Bretanha, Rússia e Áustria. A França, tendo a Espanha como aliada, derrotou as tropas da Áustria e da Rússia nas batalhas de Ulm e Austerlitz. Na batalha de Trafalgar, pelo mar, contudo, as tropas francesas e espanholas foram dizimadas.

Em 1806, o imperador Napoleão dizimava o Sacro Império Romano-Germânico e cria a Confederação do Reno, que reunia a maioria dos estados alemães e se auto-proclamou protetor. É o motivo para a criação da Quarta Coligação, formada pela Grã-Bretanha, Rússia e Prússia.

Dessa vez, o exército da Prússia foi derrotado rapidamente na batalha de Iena e os russos em 1807nas batalhas de Eylau e Friedland. Por conta dessas últimas batalhas, foi assinado o tratado de Tilsit, no qual os russos tornavam-se aliados dos franceses.

Com a derrota da Quarta Coligação, Napoleão Bonaparte tona-se o grande senhor da Europa Continental. Os territórios que não dominava diretamente estavam entregues a seus familiares. Seus irmãos José, Luís e Jerônimo foram coroados reis de Nápoles, Holanda e Vestfália. Entre as marcas estava a transformação da onde nos países para seguir o Código Napoleônico, ignorando o nacionalismo dos territórios conquistados.

Império

1804 - Approx. 1815

Seu governo trouxe bons resultados, tornando o representante do país dotado de poder absoluto. Em plebiscito, no ano de 1804, Napoleão iniciou uma nova fase de sua era, com aprovação de quase 60% da população. Assumiu então o trono francês, esclarecendo que seu papel era assumido na qualidade de um abnegado defensor do regime republicano e, como imperador, sustentou as conquistas camponesas com a reforma agrária, além de dar continuidade ao processo de modernização da economia. Neste período, seu governo foi marcado pela grande quantidade de batalhas, que visavam a conquista de novos territórios para a França. O exército, liderado por Napoleão Bonaparte, tornou-se o mais forte de toda a Europa.

Aparentemente o governo era estável e, por isso, as monarquias europeias uniram-se novamente contra os franceses. Napoleão venceu muitas guerras e tornou-se o senhor da Europa. No entanto, suas dificuldades estavam na economia, prejudicada pela hegemonia industrial britânica. Com este problema em mãos, tendo em vista que a Inglaterra era a maior potência naval da época, Napoleão Bonaparte decretou o Bloqueio Continental, proibindo o comércio entre qualquer nação europeia e a Inglaterra. Caso desobedecessem, os países seriam atacados pelas tropas implacáveis francesas.

Portugal possuía parceria comercial com a Inglaterra. Aquele vendia produtos agrícolas, enquanto este produtos manufaturados. D. João VI, vendo que não poderia parar de negociar com a Inglaterra, mas temendo a invasão dos Franceses, juntou a família e os nobres portugueses e fugiu para o Brasil. A Rússia também descumpriu o Bloqueio e, quando atacados por Napoleão e o exército Francês, praticamente os derrotaram em decorrência do grande território russo e também por seu rigoroso inverno. Napoleão também foi prejudicado nesta batalha por boatos de conspirações a respeito de um golpe na França, fazendo com que ele voltasse ao país.

Governo de cem dias

1815

Napoleão teve suas forças derrotadas pela coligação europeia no final de sua fase imperial. Com isso, foi obrigado a abdicar e foi exilado na Ilha de Elba devido ao Tratado de Fontainebleau. No entanto, fugiu logo depois. Entrou na França com um exército reconquistando seu poder, mas foi derrotado ao tentar atacar a Bélgica na Batalha de Waterloo. Pela segunda vez foi exilado, dessa vez na Ilha de Santa Helena, no ano de 1815. Faleceu no ano de 1821 e suspeita-se que tenha sido envenenado.